segunda-feira, 21 de março de 2011

TOP 5-CINCO MÚSICAS PARA SE OUVIR COM UM SORRISÃO ESTAMPADO NO ROSTO

  • SUN IS COMING OUT(DJ MEMÊ)
Memê deixou de ser o melhor dj do brasil para se tornar um dos melhores djs do mundo.E aqui ele dá mais uma prova do seu talento criando essa maravilha dançante que é "sun is coming out."Pra ouvir e ser feliz.

  • WORLD,HOLD ON! (BOB SINCLAIR)

Essa música é mesmo sensacional,uma das mais legais que eu já ouvi em minha vida,e a letra é bem bacana,falando dos problemas do nosso planeta.Essa anima qualquer festa com certeza!

  • BEAT! (MICHAEL JACKSON)

Se Michael Jackson tivesse feito só essa música ele já poderia ser considerado o rei do pop.No auge da criatividade,michael fez a canção pop perfeita,a coreografia mais legal, o videoclipe mais sensacional e é claro,"Beat!" só poderia estar no disco pop mais sensacional de todos os tempos:"THRILLER".Ah,o espetacular solo de guitarra da música foi feito pelo Eddie Van Halen.

  • UNDER MY SKYN(FRANK SINATRA E BONO VOX)

Aqui pode haver um paradoxo:a alegria pode se transformar em lágrimas devido à emoção deste encontro.Ver e ouvir o velho Frank cantando um dos seus clássicos ao lado de Bono Vox é simplesmente de lavar a alma!

  • LET'S GROOVE(EARTH,WIND AND FIRE)

Ouvir o "EARTH,WIND AND FIRE",é sempre uma festa para os ouvidos,mas aqui os caras exageraram.È simplesmente impossível ouvir essa música e ficar parado.Nem que seja o dedão do pé mas alguma parte do seu corpo vai ficar se mexendo enquanto você ouve a música.Pode fazer o teste.Pra ouvir e sair dançando!!

quarta-feira, 2 de março de 2011

CARNAVAL DE 85

Já faz alguns dias que o pessoal começou os ensaios para o desfile deste ano.Daqui da minha varanda posso ouvir o som do batuque ao longe.Eu já morei bem no epicentro de tudo isso.Minha antiga casa ficava bem ao lado da sede da "guerreiros do Samba",que já foi a minha escola do coração,e que foi a escola onde Zenaide desfilava todos os anos.Ela era a rainha da escola.Ela era linda,maravilhosa!Zenaide...Arre!Que toda vez ela invade meus pensamentos,essa mulher!!Eu queria muito esquecer Zenaide.Mas todo ano quando começam os batuques do ensaio da "guerreiros",ela se apossa dos meus pansamentos como se fosse um encosto mesmo,uma assombração que vem pra me atormentar.Todo fevereiro é assim,uma tristeza que nem a cachaça mais "braba" do botequim do Juca dá jeito.Tristeza.Há uns cinco anos atrás resolvi voltar a assistir os desfiles na rua.Vou,tomo uma cervejinha com os amigos,bato um papo,assisto uma meia hora de desfile,se pintar uma paquera,ótimo,levo a dona pra casa,ponho um Martinho da Vila na "vitrola",uma garrafa de vinho e pronto!uma noite de amor,que eu também não sou de ferro né?Mas sei que o que eu queria mesmo é ter me casado com a Zenaide,ter tido uns três filhos com ela ,ter envelhecido ao lado dela.Mas tudo isso foi um sonho.Sonho que se transformou em pesadelo naquela noite de 1985.Era carnaval.Zenaide era a rainha da escola.E eu,mesmo já estando separado dela...bem,que eu me lembre...eu ainda era feliz.


***

A quem possa interessar,meu nome é João.Tenho 58 anos e trabalho desde os 30 como funcionário público municipal da cidade de Areianópolis ,onde nasci.Nunca me casei e nem tive filhos.Cheguei a morar 9 meses junto com Zenaide,juntamos os trapos como se diz por ai,mas não deu certo.Cheguei a ficar noivo da Elisa também,moça boa,bonita,prendada,dessas que nasceram para o casamento mesmo.Mas não deu certo também e rompemos o noivado.O amor de minha vida sempre foi a Zenaide mesmo,desde pequenos,quando ela veio de Salvador com a família.Compraram uma casa vizinha à dos meus pais.E eu com meus oito anos de idade me encantei com aquela moreninha linda de cabelos encaracolados,negros como a noite e de olhos fulminantes.Nossas famílias ficaram muito amigas e eu não saia da casa dela e ela não saia da minha.Nossas famílias eram do samba e desde cedo começamos a participar dos ensaios da "guerreiros do samba "comecei a fazer parte da bateria e Zenaide saia como passista na ala dos adolescentes.Com o passar dos anos minha afeição por Zenaide começou a se transformar em algo sério,muito sério,que me tirava o sono e fazia das minhas noites um verdadeiro martírio.Eu só pensava nela,a noite inteira,seus olhos me queimando,o cheiro de seus cabelos,seus lábios carnudos,seu corpo que se transformava a cada dia,se enchendo de curvas e saliências que me enlouqueciam.Até o dia em que não pude mais me conter e declarei a ela tudo o que eu sentia.Começamos a namorar e fomos muito felizes durante os primeiros anos.Até que eu percebi que en todos os lugares em que íamos,Zenaide era o grande centro das atenções,dos olhares masculinos,e o que foi pior,eu descobri que ela gostava desse assédio.Ela já não era uma adolescente magrela,havia se tornado uma mulher linda,provocante,que chamava mesmo a atençao em qualquer lugar que entrasse..Nos desfiles de carnaval,não havia uma mulher que fosse mais linda que Zenaide.E nas rodinhas com os amigos,só se comentava de como a Zenaide cada dia que passava ficava mais linda,que eu era um sujeito de sorte,que não sei mais o que ...Na verdade eu sabia que todos os meus amigos cobiçavam a Zenaide,e que torciam pro nosso relacionamento não dar certo.E o pior é que a danada adorava o assédio dos homens,e muitas vezes eu a peguei em flagrante retribuindo sorrisinhos,piscadelas,lançando olhares maliciosos.Naquela época eu não entendia que existem mulheres que não nasceram para serem de um homem só.Elas são de todos e só assim são felizes.São como uma fonte de água pura onde os viajantes bebem,saciam sua sede e vão embora.Depois outro também vem,bebe e se vai.Zenaide era assim.Era uma mulher que logo se transformaria numa fonte.Só que naquela época eu não sabia disso e lhe fiz uma proposta para que fôssemos morar juntos.Ela aceitou.


***
Não vou ficar aqui contando detalhes do nosso tempo de "casados".Só quero que saibam que nos primeiros meses fomos muito felizes até,embora eu sentisse pela Zenaide um ciúme que beirava as raias da doença. E claro,não faltou vizinho cochichando aqui e acolá dizendo que eu era um trouxa,que aceitava as traições da Zenaide,que eu era um frouxo,que homem que é homem de verdade não aceita ser corno,etc,etc...Meu Deus!!!Eu era um rapaz de 21 anos completamente enfeitiçado por aquela mulher!!Vocês achaam que eu iria me importar com o falatório da vizinhança?Eu queria mesmo é toda noite estar entrelaçado nos braços da Zenaide,sentindo seu cheiro,o calor do seu corpo,nós dois nos amando com loucura naqueles lençóis!!Que se danassem todos!E é claro que não tardou chegar o dia em que eu,já com a cabeça transtornada pela cachaça,comecei a xinga-la depois que percebi uma troca de olhares entre ela e o Pedro,o filho do açougueiro.Discutimos feio,palavrões voaram aos quatro ventos,colocando a vizinhança em polvorosa.Até que ela disse a palavra maldita,capaz de levar qualquer homem a loucura:"você é um corno mesmo João"!!!Corno!!!!!Foi o que bastou para que eu fechasse a mão e desferisse não um tabefe,mas sim,um soco bem na cara da Zenaide.Ela caiu no chão como um pacote,um saco de qualquer coisa e lá ficou caída.Eu achei que tinha matado a desgraçada e saí correndo desesperado pela rua gritando"matei a Zenaide,pelo amor de Deus,alguém me ajude!!!".Toda a vizinhança saiu de casa para ver a tragédia.Eu entrei em estado de choque.Chorava feito criança.Até que alguém constatou que a Zenaide não tava morta coisa nenhuma.Ela estava só desmaiada mesmo.E logo que acordou com a cara toda inchada começou a berrar que não queria nunca mais me ver nem pintado de ouro,que eu era um covarde,até de assassino ela me chamou,pode?E embora eu amasse muito a Zenaide,depois daquele dia decidi ir embora da cidade.Eu não podia aguentar o olhar de desprezo,de nojo,que ela me lançava toda vez que a gente se encontrava.Fui embora pra São Paulo,morar com um tio meu.

***

Fiquei cinco anos morando em São Paulo.De tempo em tempo,ia para Areianópolis visitar meus pais.Confesso a vocês que toda vez que voltava para minha cidade,tentava a reconciliação com a Zenaide.Mas ela estava decidida.Pra ela tudo tinha acabado mesmo.Definitivamente.Da última vez em que nos falamos ela me disse que estava namorando um caminhoneiro chamado Antõnio.Ele era de fora,de uma cidade lá do Recife.Foi então que resolvi tomar vergonha na cara e recomeçar minha vida bem longe da Zenaide.Foi nessa época que conheci a Elisa em São Paulo,fiquei noivo dela e tudo,mas nosso noivado deu em nada.A presença da Zenaide em minha vida era muito forte ainda.

E então,no sábado de carnaval de 1985,eu decidi rever a Zenaide e tentar mais uma vez a reconciliação.Dessa vez seria tudo ou nada.Eu queria minha vida,minha alegria de volta.Se ela me dissesse um não,eu nunca mais voltaria a ve-la,eu tava decidido.

Cheguei na cidade e fui logo falar com a Zenaide mas ela estava muito ocupada com os preparativos para o desfile de carnaval que aconteceria a noite.Mas me disse que depois do desfile sairíamos para tomar uma cerveja e conversar.Fiquei todo esperançoso aguardando a hora do desfile começar.

E quando a "guerreiros do samba" entrou na avenida eu lhes digo caros leitores,que não havia mulher mais linda,mais maravilhosa,mais deslumbrante do que a Zenaide.A lua tão imensa lá no ceú iluminava seu sorriso,seu gingado,o seu rebolado provocante enlouquecendo os homens e provocando a inveja nas outras mulheres.Foi então que ela me enxergou na multidão e nossos olhos se encontraram.Ela me lançou um sorriso,um lindo sorriso e me jogou um beijoE foi nessa hora que a luz da lua fez algo brilhar na avenida.Mas não eram os adereços nem o sorriso de Zenaide.Era o brilho mortal da lâmina na mão do homem que,atropelando a multidão e gritando seu nome,se lançou sobre a Zenaide lhe desferindo um,dois,três golpes na barriga.Naquele momento parece que o mundo começou a girar em camera lenta.Lembro-me do corpo de Zenaide caindo no chão,de seu ollhar de terror e espanto,lembro-me da multidão furiosa que avançou sobre o homem fazendo a própria justiça.Lembro-me do gosto amargo de minhas lágrimas quando contemplei o corpo de minha amada estendido no asfalto ensanguentado.

-Zenaide!!!!Eu gritei.Zenaide!!!!!

Havia vida ainda em seus olhos e eles procuraram pelo som da minha voz,eu pude perceber.Mas logo seu brilho se apagou e ela morreu.A lua indiferente ao meu sofrimento continuava majestosa lá no céu iluminando a trágica noite de 1985.

***

Bem,caros leitores,aqui termina meu relato.Faltou dizer que o homem que assassinou a Zenaide foi o Antônio,o caminhoneiro de Recife.Quando a Zenaide terminou o relacionamento,ele prometeu que ela não ficaria com mais ninguém.Cumpriu a promessa.Ela nunca mais foi dele,nem minha,nem de mais ninguém.

Agora se me dão licença,tenho uma garrafa pra esvaziar.Essa é das braba,que desce queimando e afogando as mágoas.È fevereiro,é carnaval,é tempo de tristeza.











































































































































sábado, 19 de fevereiro de 2011

A HORA DE PARTIR

MInha mãe está muito linda,bem arrumada com um conjunto lilás,maquiada,pois sempre foi muito vaidosa.Ela prepara-se para embarcar no trem que daqui a pouco vai chegar na estação e leva-la para a grande viagem,a última,a inevitável.

Eu faço de tudo para esconder minha tristeza,ser forte como um bárbaro sem sentimentos,aquele do filme,que nunca chorava.Mas não consigo.Deus nos fez a máquina perfeita mas nos deu um coração fragil que ainda não aprendeu a suportar a dor da separação.

_Meu filho ,eu já ouço o apito do trem.Tá chegando a hora.
Eu aperto com força a sua mão tentando evitar sua partida.Ela me sorri e me pede para ficar tranquilo.

_Mãe,eu sempre tive vontade de viajar de trem.Posso ir com a senhora?Por favor mãe.

_ Meu filho,nessa viagem eu devo ir só.Mas um dia meu filho eu estarei aqui nessa mesma estação te esperando para fazermos essa viagem juntos.

_A senhora promete mãe?Que vai estar comigo quando eu for embarcar no trem?Não quero viajar sozinho.

_Claro meu filho.estarei te esperando.cuidarei de você como fiz a vida inteira.

Nessa hora todas as minhas forças acabaram e eu desabei a chorar feito criança.Nos abraçamos fortemente e eu senti seu cheiro doce pela última vez.

_Meu filho,eu te peço que nunca se esqueças de mim,pois,eu vou estar sempre perto de você,não importa a distância.
_Mãe...
MInha frase é cortada pelo barulho do trem que acabara de chegar na estação
_Adeus meu filho,eu preciso ir agora.
_Adeus minha mãe.Vai com os anjos.
_São eles que conduzem esse trem meu filho.Tenha fé.
Minha mãe embarca no trem e ele se vai devagar.Eu permaneço na estação até que ele desapareça por entre as montanhas,por entre as nuvens.
Eu me sento em um banco e permaneço contemplando o entardecer na estação.Sei que o tempo fará bem o seu papel,aplacando de meu peito a tristeza e o vazio que agora sinto.
E pensando em tudo isso,eis que de repente,como que surgindo do nada,um passarinho vem pousar em meu ombro.Minha mãe,mandando avisar que ela está em paz.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

O ÚLTIMO DIA DO VERÃO

As pipas no céu formam um bonito desenho.São como pássaros executando uma coreografia.No terreno vazio os moleques jogam futebol e fazem uma enorme algazarra.Na porta das casas os velhos discutem sobre a política.A rua respira.

Marcos faz as malas devagar.Passa a mão delicadamente sobre a capa do 'CONSTRUÇÃO " do Chico Buarque,um disco com muitos significados para ele.Coloca - o para rodar na velha vitrola e a voz de chico começa a agradecer "deus lhe pague","deus lhe pague".

Ele sente uma lágrima rolar até seus labios amargos.Não vai levar muita coisa na mala.Sabe que vai voltar em breve.A separação não será definitiva.Ana irá descobrir que ainda o ama muito.Ele espera,ele sente.Fecha a mala e tira o disco da vitrola.Arruma cuidadosamante o antigo LP na embalagem de papelão e o coloca embaixo do braço.Desce as escadas até a sala onde Ana espera sentada no sofá.
_To levando o vinil do Chico.
_Tudo bem,eu tenho em CD.
_Você sabe que eu sempre preferi os vinis né?-Marcos sorri meio tímido.
_Sim,eu sei.
_Semana que vem eu volto pra buscar o resto das minhas coisas,ok?
_ok.
_Ana,eu queria te dizer...-
_Por favor Marcos,não fala nada.Deixa o tempo passar.Eu to precisando de um tempo pra pensar.
Marcos sente um nó na garganta.Ele se segura para não chorar e se lançar nos pés da mulher que ele ainda ama tanto.Mas ele sabe também que os erros que cometeu não lhe dão o direito de exigir nada dessa mulher.Ele sabia desde o começo que Ana jamais perdoaria uma traição sua.
-Só quero que você saiba que eu ainda te amo muito.
Agora é Ana que se esforça para não cair em prantos diante de Marcos.
_Se cuida tá.-ela diz.
_Pode deixar.-ele lhe dá um beijo na testa se vira e começa a caminhar na direção do portão.Ele olha para trás e ela está lá,na porta,olhando sua partida.Ele lhe joga um beijo e ela retribui o gesto.Um sorriso então se esboça em seu rosto.Ele sente que vai voltar em breve.
Seu coração agora é uma pipa voando no céu.

O RIO

Meu pai me falava do rio.De suas margens onde o gado se debruçava para beber a doce e límpida água que iria matar sua sede.Das pescarias nas tardes de domingo,da alegria que sentia em levar para sua mãe o peixe pescado para que ela preparasse o jantar.De como o rio era seu refúgio nas horas em que as bebedeiras de meu avô se tansformavam em ira.E a ira,em surras que deixavam marcas,algumas jamais cicatrizadas.Meu pai me falava do rio.Que uma das alegrias de sua infância era mergulhar em suas águas e se entregar à natureza,respirar o ar puro do campo,sentir a água fria lavando seu corpo,sua alma.
Meu pai tinha a sabedoria dos homens simples.Dizia que a vida é como um rio.Deixamos que ele corra livre
sem rumo definido ou construimos uma barragem para que possamos direciona-lo para um caminho.Encontrar o rio dentro de nós,ele dizia.
Foi na beira do rio que ele beijou minha mãe pela primeira vez.E foi no rio também que,anos mai tarde,ele mesmo me batizou em nome da santíssima trindade.Eu ,seu primeiro filho.
Meu pai me dizia que o tempo que nos alimenta também nos consome.Ele flui rápido como a correnteza de um rio.E eu que era o filho me tornei o pai,e de pai me tornei avô.E se o tempo permitir,ainda verei a chegada de um bisneto.Embora eu tenha que dizer que quando se é um velho de 85 anos pouca coisa ainda traz alguma felicidade realmente verdadeira.
Mas das palavras de meu pai eu nunca me esqueço.A vida é a eterna busca,ele dizia.Quando o homem desiste de buscar algo em sua vida,significa que sua vida acabou.Que não existe mais nada.
Do rio de meu pai nada restou.Hoje, tudo se transformou em ruas de onde não se enxerga o horizonte.E a felicidade que um dia ali foi vivida se perdeu em meio ao aço e ao concreto que a tudo soterrou.
Apesar de tudo isso,eu ainda busco sim,encontrar dentro de mim,um rio de águas tranquilas.Um último navegar.








terça-feira, 1 de junho de 2010

SOB A PONTE

" O SOFRIMENTO É INEVITÁVEL".


"O SOFRIMENTO NASCE DO APEGO DO HOMEM ÀS COISAS MATERIAIS".


( BUDA)

Sob a ponte faz muito frio.Os trapos de cobertores com os quais me cubro não me protegem do vento gelado que castiga a cidade hoje.È domingo.Dia das pessoas de bem irem à igreja,almoçarerm na casa das mâes,sogras,pais,primos.Dia de visitar os amigos.Eu já visitei muitos amigos em dias de domingo.Já fui na missa,já fui um cidadão de bem,respeitado pela minha família.Mas isso foi quando?Em outra década?Em outra vida?Agora começou a chover fininho,vagarosamente.Me enrolo nos meus trapos tentando me aquecer.Tomo um gole de cachaça,minha companheira de tantos anos.È bom,dá uma esquentada na goela!
Dia de domingo é legal.Vem um pessoal de uma igreja evangélica e traz comida quentinha,pão,refrigerante.O saco é que depois eles querem ler a bíblia,falar de Jesus,fazer oração.Eu até ganhei uma camiseta deles com uma frase escrita assim:"JESUS MORREU POR VOCÊ".Se morreu mesmo,deve ter se arrependido até os ossos.Eu não presto,essa cambada toda fedida e rasgada que mora aqui debaixo dessa ponte não vale nada,a humanidade inteira não vale um monte de estrume.O ser humano é só estômago e sexo.Mais nada.
Dia de chuva é foda!Parece que cada gota que cai é um fragmento do passado que pinga no chão e salta nos meus olhos em forma de lembrança.Dai vem o rosto da minha ex-esposa,do meu filho.Ele era muito pequeno ainda quando eu fui embora de casa.Deve estar já com uns 14 anos.Acho que ele nem sabe que tem um pai.Deve achar que eu morri.Melhor assim.Que desgosto pra ele ter um pai alcóolatra,viciado e esfarrapado.Queria que a chuva parasse.Tem dias em que nem me lembro de minha outra vida.Tenho que fazer um esforço danado pra me lembrar do rosto de minha ex - esposa.Mas quando chove...Eu me lembro do nosso tempo de namoro.Dos primeiros anos de casamento e do quanto nós éramos felizes.Lembro -me também de como seu olhos foram ficando cada dia mais tristes à medida em que eu me afundava na bebida.Ir embora foi a decisão mais acertada.Eu queria que ela fosse feliz.
Com quem mora na rua ás vezes acontecem coisas interessantes também.Outro dia veio um político todo engomadinho gravar um programa eleitoral aqui.Veio falar de nós,esse grave problema social,que parece jamais vai ter uma solução.Ele conversou comigo e quis saber da minha vida.Ouviu minha história e prometeu ajudar.Me levou até num desses programas de tv qu passam de tarde,que as donas de casa adoram assistir.A apresentadora disse que iria entrar em contato com minha família,que minha vida iria mudar,enfim,essa baboseira toda que dá ibope na tv.Resumindo,quando o programa acabou,a dona virou as costas pra mim e saiu perguntando se eu tinha dado um bom ibope.Nem olhou mais na minha cara.Me deram um lanche e me mandaram embora.Pelo menos isso né?A televisão é uma grande mentira.Tudo é falso.Os sorrisos,os abraços,as lágrimas.Mas as pessoas adoram serem enganadas.Pelos apresentadores de televisão,pelos politicos,pelos pastores safados que só querem mais e mais dinheiro dos fiéis.
As vezes me sinto tão cansado.Por muitas vezes já pensei em subir no alto dessa ponte e voar lá de cima.Ou então me jogar na frente de um caminhão qualquer.Mas me falta a coragem.Dizem que quem se mata é um covarde.Eu discordo.`Pra tirar a própria vida tem que ter muita coragem,meu!!!
As vezes tenho saudade do meu pai.De quando eu era criança e ele me abraçava e me beijava e eu sentia a aspereza de sua barba no meu rosto.Tenho saudades de acordar sentindo o cheirinho do café que minha mãe fazia de manhã.De suas mãos,finas como um papel, me fazendo um carinho.Eu tento chorar,só que não consigo.Concreto e poeira,cinzas,lixo,solidão e tristeza.
Hoje é domingo.Faz muito frio e chove.Se eu fosse um cidadão de bem,iria á missa.Mas vou ficar aqui.Tomando minha cachaça e tentando me aquecer.Sob a ponte é assim.




terça-feira, 18 de maio de 2010

RÁPIDO E RASTEIRO

Não aguento mais todo mundo que eu conheço falando mal da convocação do Dunga.Que ele deveria ter convocado o ganso,o pato,o imperador,o dentuço,o gorducho e por ai vai.O pior é ver gente que não entende porra nenhuma de nada querendo dar palpite.O zé ruela assiste a mesa redonda na band e sai por ai repetindo tudo o que ouviu o Milton Neves,o Juares Soares e o insuportável do Luciano do Valle falaram.
Se o dunga é tão incompetente assim,mandem o cara embora e pronto!Se deram o comando da seleção pra ele,então deixem o cara trabalhar em paz.
Eu particularmente não ligo a mínima pra futebol.Até gosto de assistir aos mundiais mas se a seleção brasileira perder ou ganhar estou pouco me lixando.Acho que hoje em dia não existe mais o amor do jogador pela camisa,pelo país.Só jogam por dinheiro e mais nada.Pra ser o novo garoto propaganda da Nike ou outra dessas marcas famosas.

E depois ainda tem aquele papinho furado que o povo brasileiro é um povo muito sofrido,que não sei o que,que merecem um pouco de alegria vendo a seleção vencer. E o pai de família pobre vai no mercado e ao invés de comprar a carne e o leite para os filhos, gasta os últimos trocados numa caixa de rojão para torcer pela seleção.E maravilha!!Goooooollll do Kaká!!!E a criança chora de fome.E mais alguns milhões na conta do Kaká!!E lá vai mais um rojão!!! Comer pra que?Trabalhar pra que??E viva a seleção!!